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26/4/2012

12º CAMPEONATO BRASILEIRO DE SURF NA POROROCA

Paraense Rogério Barros é o novo Campeão Nacional das ondas de maré


Aconteceu entre os dias 19 e 24 de abril, nas ondas de maré do Rio Araguari, município de Cutias do Araguari, no Estado do Amapá, o 12º Campeonato Brasileiro de Surf na Pororoca.

Após 6 anos sem competições oficiais, o Estado do Amapá volta a receber grandes nomes do surf brasileiro no maior evento para o surf profissional na Região Amazônica, evento que foi vencido pelo paraense, especialista em pororocas, Rogério Barros, o Pingo, em uma final em que ele enfrentou outro expert em ondas de maré, o cearense Adilton Mariano.

O evento teve seu início no dia 20 com a Cerimônia Oficial de Abertura realizada no Palácio do Setentrião sede do Governo do Estado de Amapá, com a presença de atletas, comissão técnica, autoridades governamentais, imprensa local e nacional. Após a cerimônia, todos os envolvidos na competição embarcaram no navio Comandante Luiz Afonso e partiram para a incrível aventura de caçar as pororocas do Rio Araguari.

Depois de navegar por mais de 24h, chegamos ao local onde o navio ficaria aportado durante todo o evento. O Congresso Técnico foi realizado às 21:00h e nele foram definidas as estratégias de ataque, resgate e segurança que seriam usadas no dia seguinte o qual rolaria apenas free surf e ficou acertado que a dinâmica da ação seria uma simulação de tudo o que aconteceria durante a competição. Assim, qualquer dúvida poderia ser esclarecida e alguma eventual deficiência na logística, corrigida.

Ao final do Congresso Técnico e sorteio das baterias da primeira fase da competição, o cronograma ficou assim definido:

1ª Bateria

Rogério Barros(PA) x Bino Lopes(BA)

2ª Bateria

Álvaro Bacana(MA) x Denis Tihara(BA)

3ª Bateria

Stanley Gomes(AP) x Icaro Lopes(CE)

4ª Bateria

Adilton Mariano(CE) x Rodrigo Dorneles(RS)

No dia 22 o ataque simulado à pororoca do Rio Araguari serviu para a Comissão Técnica avaliar as condições da onda e as melhores bancadas. Esse também foi o dia para que os atletas que nunca haviam surfado a pororoca se familiarizassem com o fenômeno e tirassem suas dúvidas quanto às particularidades desse tipo de competição que teria seu início no dia seguinte e também, para que o comandante da logística da operação Chico Pinheiro estudasse as melhores condições para que os profissionais da imprensa pudessem desenvolver seu trabalho com toda segurança.

O primeiro dia de disputas, segunda-feira, 23, foi marcado por ótimas ondas de até 2m.

No primeiro dia de disputas antes mesmo dos raios de sol iluminarem a selva que nos rodeava todos já estavam de pé e após um rápido desjejum os envolvidos na competição já estavam nas voadeiras, bananas, e jets, partindo para a caçada.

Por volta das 8:45h já podíamos avistar a pororoca no horizonte. Como sempre, ela vinha marchando imponente, devastando margens e arrancando árvores, mas, trazendo junto o sonho da onda perfeita e sem fim.

Após a primeira bateria ser autorizada, Bino e Rogério atacaram a onda e durante três minutos o que observamos foi uma luta de verdadeiros gladiadores contra aquele titã que insistia em engoli-los vivos.

O primeiro a conseguir chegar na parte limpa da onda foi o paraense Rogério Barros, que não perdeu tempo e saiu desferindo fortes manobras de backside para assumir a liderança da bateria de estreia.

O baiano Bino Lopes teve um pouco mais de dificuldade para entrar na parede da onda, mas, em tempo hábil, conseguiu subir na prancha para manobrar forte e tentar correr atrás do prejuízo, pois, a esta altura, ele só tinha menos um minuto e meio para correr atrás do resultado pois cada bateria tem a duração de cinco minutos.

Entretanto, mesmo aplicando três boas rasgadas e se mostrando bem à vontade, Bino não conseguiu superar o paraense que usou toda a sua experiência no fenômeno para avançar para a próxima fase.

A segunda bateria, literalmente, foi uma apresentação do cearense Ícaro Lopes, pois, seu adversário, o expert na pororoca do Araguari, Stanley Gomes, não conseguiu pegar a onda deixando que o jovem estreante aproveitasse tranquilamente seus cinco minutos numa onda perfeita de dois metros de face.

Antes da terceira bateria ser lançada, todos cantaram os parabéns para o aniversariante do dia, Dennis Tihara, que ali, no meio da selva amazônica, completava seu 27º aniversário. E parece que os deuses da mata resolveram presenteá-lo, pois, mesmo tendo enfrentado um especialista em ondas de maré, Tihara agrediu mais a onda que o campeão brasileiro de surf na Pororoca 2010, Álvaro Bacana, inclusive fazendo um salto kamikaze, do lip até a base, lembrando um bump em uma onda gigante. Foi uma bateria muito bem surfada e disputada.

A última bateria do primeiro dia foi disputada em uma sessão um pouco menor, porém, em uma onda mais armada e bem definida, onde o gaúcho Rodrigo Dornelles demorou para compreender a dinâmica do fenômeno, pois, enquanto ele lutava para atingir a parte limpa, Adilton manobrava sem parar, apesar de estar em uma parte espumada. Mesmo conseguindo estilosos round houses, cut backs e alguns snaps, ao tentar uma manobra mais ousada, Pedra acabou ficando pra trás deixando o caminho livre para que Adilton conquistasse sua vaga na semifinal.

Chegando ao navio a festa foi geral, pois, todos haviam surfado altas ondas que renderam incríveis fotos e imagens. Sem falar que tudo ocorreu em perfeita harmonia, sem incidentes.

O primeiro dia de disputas foi encerrado de maneira apoteótica com a participação de todos os envolvidos na operação, no Ritual das Águas Auêra-Auára.

Na ocasião, Marcelo Bibita, o Pajé da Cerimônia, pediu licença aos deuses da mata para que todos pudessem surfar em segurança e aproveitou para homenagear o caçador de pororocas Mauricio Vital, que falecera na última lua cheia, surfando em Salinas (PA).

Terça-feira 24 de abril de 2012

Como de costume acordamos bem cedo e já saímos em mais uma caça à pororoca. O céu estava cinza, mas, algo de mágico pairava no ar. O rio estava lisinho devido a forte chuva que caíra durante a madrugada. Talvez pela gratidão à reverência feita no dia anterior, durante o ritual das águas, este foi o mais especial dos dias.

Chegamos à bancada principal e esperamos durante meia hora, até que ela surgiu no horizonte e mesmo ha uma boa distância, víamos que aquele era “O Dia”.

Logo que a primeira semifinal foi liberada Rogério Barros entrou no espumeiro e rapidamente escalou a onda chegando à parte limpa da mesma, começando a manobrar. Ícaro Lopes, seu oponente, também sobe na espuma, mas, perde alguns segundos até conseguir chegar na parede. A partir daí um duelo começa a ser travado e a liderança da bateria passa a ser trocada de mãos por algum tempo, mas, Rogério é quem garante vaga na final.

A segunda semifinal foi composta pelos atletas mais pilhados da competição: Adilton Mariano e Dennis Tihara. Adilton faz o primeiro ataque subindo rapidamente na prancha e manobrando forte. Tihara, ao encostar no espumeiro, é engolido pela pororoca dando adeus à competição.

“Cara, os pretinhos puxaram meu pé e eu fiquei pra trás” justificou Dennis dando sonoras gargalhadas após a bateria. Adilton continuou na onda fazendo um surf apresentação para as câmeras e lentes de toda imprensa enquanto “ Dedo”, o piloto do Jet de apoio, ia resgatar Rogério, para que a final pudesse ser realizada ainda na melhor sessão da onda.

Rogério então é lançado novamente na onda e ao chegar à mesma condição que Adilton, a mais importante bateria da competição teve seu início autorizado. Nessa hora, Adilton, que vinha dando um verdadeiro show de surf aplicando reversos em sequência, entra de borda na onda e fica pra trás, deixando a vitória na mão do surfista paraense que aproveitou a onda livre dando um verdadeiro show de surf confirmando sua condição de campeão.

A partir daí, o free surf foi liberado e todos que participam do evento inclusive alguns do staff e imprensa caíram na água para sentir na pele o prazer de surfar no Havaí das Pororocas.

Em declaração empolgada, o competidor Álvaro Bacana afirmou que de todas as competições em pororocas que participou essa, de longe, foi a melhor de todas.

Segundo Adilton Mariano, o segredo de surfar a pororoca está em se harmonizar com a natureza: “Surfar a pororoca é uma experiência única, mágica e fantástica. Estou muito feliz por ter surfado essa onda com alguns dos meus melhores amigos e ter tido a oportunidade de participar desse evento. Auêra-Auára”, declarou Adilton Mariano.

Para Noélio Sobrinho, Presidente da ABRASPO, esse evento mostrou mais uma vez o grande potencial que o surf no Rio Araguari, capaz de transformar vidas, da mesma forma que transformou lugares como os municípios de São Domingos do Capim, no Pará, Chaves, no Arquipélago do Marajó e Arari, no Maranhão:

“Nós, da ABRASPO, estamos muito contentes com o retorno do apoio do Governo do Estado do Amapá ao nosso projeto. Temos certeza de que, a partir de agora, os tempos áureos da pororoca do Rio Araguari estão de volta e o tão esperado crescimento e desenvolvimento da região do Baixo Araguari deixará de ser um sonho e muito em breve, no que depender de nosso trabalho e dedicação, se tornará realidade”, declarou Noélio.

RESULTADOS

1º Rogério Barros-PA

2º Adilton Mariano-CE

3º Ícaro Lopes-CE

3º Dennis Tihara-BA/DF

5º Álvaro Bacana-MA/SC

5º Stanley Gomes-AP

5º Bino Lopes-BA

5º Rodrigo Dornelles-RS


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