AGUARDE
14 fevereiro 2017

Tchau de Miss

Ilustração: Andy Massena

Nos últimos dias de janeiro tivemos o concurso de Miss Universo 2017. Nitidamente percebemos a tentativa de mostrar alguma relevância em um evento com conceitos frágeis e ultrapassados. Mulheres montadas e trabalhadas em seus cabelos milimetricamente penteados, maquiagens transformadoras e corpos esculpidos muitas vezes por cirurgias são analisados detalhadamente por jurados que acabam por escolher a representante da beleza mundial. Além da "beleza", foco primário do concurso, as candidatas precisam demonstrar que são mais do que belas. Precisam provar que tem conhecimento e responder, em segundos, questões profundas e que exigiriam discussões e análises até mesmo de filósofos ou experts em política, economia e outros temas complexos. 
Nessa tentativa de valorizar o concurso, além de belas e cultas, também precisam mostrar que são pessoas caridosas, envolvidas em trabalhos sociais e causas humanitárias, preocupadas com a pobreza, condição das crianças, trabalho escravo e fome no mundo, sem falar na necessidade de executarem alguma performance artística como dança, canto ou outra performance do gênero.

Tudo isso não convence mais um público crítico que não se engana com imagens criadas para sustentar um estilo de vida idealizado pela produção do evento como se esses pontos representassem mulheres reais, verdadeiramente belas por dentro e por fora. 
Quanto de real existe em um concurso que mostra mulheres padronizadas como se fossem o mesmo produto em embalagens de cores diferentes? A quem essas mulheres representam num universo feminino que sofre preconceito, agressão, que vive em condições de submissão e humilhação em alguns países, dentre tantos outros abusos que poderíamos abordar?

Se é um concurso de beleza onde a magreza é um dos referenciais do belo e uma candidata com curvas mais definidas é vista como inadequada, como foi o caso da miss Canadá, que se assuma como tal, mas não tente fazer malabarismos para mostrar um lado que, obviamente, não é o que realmente importa para todos os envolvidos.

Tags:
COMPARTILHAR