AGUARDE
16 abril 2016

Sebastian Zietz reina em Margaret River

Entreante em finais do CT e substituto de surfistas contudidos, o havaiano faturou o título da prova e chegou à vice-liderança do ranking da elite do surfe mundial

Faltavam apenas três baterias para o encerramento da terceira etapa do CT e quatro surfistas estavam na briga. O Brasil tinha como representante o potiguar Italo Ferreira, mas foi o havaiano Sebastian Zietz quem derrotou o australiano Julian Wilson na decisão e comandou a festa na manhã de sábado, 16 de abril, lá na Austrália. Seabass nunca tinha disputado uma final do CT e estreou da melhor maneira: vencendo.

As poucas, porém bem executadas, manobras de Sebastian lhe deram a vitória. (Foto: WSL)

As poucas, porém bem executadas, manobras de Sebastian lhe deram a vitória. (Foto: WSL)


Embate entre aussies

O dia começou com a primeira semifinal na água. De um lado, o australiano Joel Parkinson. Do outro, o também australiano Julian Wilson. Boas ondas de 6 a 8 pés, cerca de 2 metros, chegavam em séries com um longo intervalo de tempo. Com poucas opções no cardápio, a escolha das ondas foi um dos fatores cruciais para um bom desempenho. E foi o surfista mais novo quem se deu melhor. Faltando menos de quatro minutos para o apito final, Julian já estava na liderança da bateria quando alcançou um 8,93 depois de boas rasgadas e um tubo no final da onda. Parko tentou responder à altura e quase conseguiu, mas ficou com 8,23 e não conseguiu a virada. Joel Parkinson terminou na terceira colocação em Margaret River, enquanto Julian carimbou seu passaporte para a finalíssima.

Parko perdeu para seu compatriota Julian Wilson na primeira semifinal. Foto: WSL)

Parko perdeu para seu compatriota Julian Wilson na primeira semifinal. Foto: WSL)


Italo, a esperança brasileira

Na segunda semi, Italo Ferreira carregava o peso de toda uma nação. Último soldado verde e amarelo no campeonato, o potiguar tinha potencial para vencer o duelo, já que o seu surfe de backside estava afiado. Mas tinha um havaiano inspirado no meio do caminho. Sebastian Zietz soube escolher as maiores e melhores ondas da bateria e depois de começar forte com um 7,17, ele ampliou a sua vantagem sobre Italo com um 9,10. O melhor estreante de 2015 somou apenas 13,17 pontos e terminou, pela segunda vez esse ano, com a terceira colocação. Já o havaiano tinha motivos de sobra para comemorar até mesmo antes do título pois estava a caminho da primeira final em uma etapa do CT na sua carreira.

O potiguar foi longe na competição, mas foi barrado por Sebastian Zietz nas semis. (Foto: WSL)

O potiguar foi longe na competição, mas foi barrado por Sebastian Zietz nas semis. (Foto: WSL)


A decisão

Sebastian Zietz não podia conter a emoção de estar disputando a sua primeira final e ficou esperando pelo adversário dentro d’água. Enquanto isso, ficou pegando ondas, mas quando o cronômetro disparou, foi o australiano Julian Wilson quem largou na frente com duas boas ondas e, por consequência, duas boas notas: um 8,67 e 7,67. O futuro campeão logo entrou na briga com uma direita da série e uma rasgada alucinante que lhe rendeu uma nota 9,10. Depois disso, os finalistas esperaram um bom tempo pela série que teimou em aparecer. Já nos minutos finais, Julian conseguiu trocar sua segunda nota para um 8. Só que Sebastian, novamente, escolhe uma onda melhor e arrisca tudo na primeira manobra, conseguindo um 8,30 dos juízes e virando a situação. Placar final: 17,40 do Havaí sobre 16,67 da Austrália.

As "seguradas de borda" surpreenderam e garantiram o título do Margaret River Pro. (Foto: WSL)

As "seguradas de borda" surpreenderam e garantiram o título do Margaret River Pro. (Foto: WSL)


Eu acho que estou surfando de uma maneira mais inteligente. Terminando as minhas ondas, sabendo usar a minha prioridade...

Julian Wilson não decepcionou e competiu à altura do havaiano. (Foto: WSL)

Julian Wilson não decepcionou e competiu à altura do havaiano. (Foto: WSL)


Próxima parada Rio de Janeiro!

A elite do surfe mundial desembarca em terras tupiniquins no dia 10 de maio, quando acontece a etapa brasileira do CT, que vai até o dia 21 do mesmo mês. O palco principal é o famoso Postinho na Barra da Tijuca, mas um palanque alternativo será montado em Grumari. Será a primeira vez no ano em que todos os surfistas brasileiros estarão competindo juntos, já que Filipe Toledo retorna ao circuito depois de um tempo em recuperação. Vale ressaltar que foi Filipinho quem deu a oportunidade de vaga para Sebastian Zietz, mas mesmo com a volta do paulista, o havaiano também está garantido na etapa do Rio já que o australiano Taj Burrow anunciou sua aposentadoria e não vem ao Brasil.

Sebastian Zietz e Italo Ferreira são os únicos que têm chance de tirar a lycra amarela do australiano Matt Wilkinson no Rio Pro, mas para isso, eles precisam vencer o campeonato e o australiano não poderá passar nenhuma bateria aqui no Brasil. Tarefa difícil, mas não impossível. Aguardemos os próximos capítulos e nos vemos no Rio!

 

 

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