AGUARDE
08 maio 2015

Saquarema, o celeiro do surfe precisa de apoio

A bateria de triagem do Saquarema Pro 2015 deixou evidente a falta de apoio aos surfistas locais

Graças a ondas consistentes e constantes, a cidade fluminense de Saquarema ganhou o apelido de Maracanã do surfe. O município, que possui entre suas preciosidades a majestosa praia de Itaúna e a praia da Vila, caiu nas graças de surfistas no final dos anos 1970 e desde então lapida o surfe de nomes de peso do esporte nacional.

Apesar do potencial de suas ondas e de seus surfistas a triagem do Saquarema Pro 2015 deixou evidente que falta apoio ao surfe local. A organização convidou quatro representantes locais de Saquarema para disputarem uma vaga no evento principal e os quatro, Léo Neves, Lucas Chumbinho, Marcos Monteiro e Yan Guimarães, possuem em comum além da cidade onde moram, o bico da prancha branco.

Leonardo Neves:
O ex-top da elite do surfe mundial Léo Neves nasceu no Rio de Janeiro, mas sua paixão pelas ondas de Saquarema o fez mudar de cidade. Bicampeão brasileiro e tricampeão carioca, Leonardo Neves ainda trabalha com o esporte, mas sem apoio, ele não foca mais em competição e sim em passar sua experiência para a nova geração de surfistas de Saquarema.

Léo Neves na briga pelo título nacional de 2010. Foto: Pedro Monteiro

Léo Neves na briga pelo título nacional de 2010. Foto: Pedro Monteiro

Yan Guimarães:
Yan Guimarães nasceu em Saquarema e seu surfe foi lapidado nas ondas do município fluminense. Com total apoio da família e com patrocínio principal Yan era uma promessa da nova geração. Com viagens para Havaí, Indonésia e França, o garoto era a aposta de Saquarema para fazer bonito internacionalmente. Mas ao completar 18 anos, Yan não teve seu contrato de patrocínio renovado e o surfe foi ficando em segundo plano.

Lucas Chumbinho:

Cheio de atitude, Lucas Chumbinho, que completa 20 anos no dia 25 de agosto, se destaca pela coragem. Apaixonado pelo esporte, Lucas está na fase na qual o surfe é o que importa. Mesmo sem patrocínio, o garoto se esforça e sempre que pode está viajando o mundo em busca de ondas grandes.

Marcos Monteiro:
O mais velho dos quatro é também o mais atirado. Salva-vidas por vocação, Marcos Monteiro descobriu no surfe de ondas grandes sua grande paixão. Mesmo sem apoio, o goofy footer investe no esporte e sempre está presente nas etapas do Big Wave Tour, circuito no qual ele já venceu a etapa de Punta Lobos, no Chile, em 2011. Apesar do convite para a triagem, Marcos Monteiro não participou devido a uma lesão sofrida no ombro na prova de abertura da temporada de 2015/2016 do BWT na semana anterior.

Marcos Monteiro colocando para baixo em Punta de Lobos. Foto: Divulgação

Marcos Monteiro colocando para baixo em Punta de Lobos. Foto: Divulgação
  • Nome: Lucas Yan, apelido Chumbinho

  • Idade: 19 anos

  • Início no surfe: Começou a surfar aos 3 anos estimulado pelo pai

  • Pico de treino: Itaúna, Vila ou Barrinha.

  • Ídolo no surfe: Jamie O’Brien, porque ele pega onda grande, tubos bizarros e é completo

  • Momento mais felizes no esporte: Em 2012 quando foi campeão da etapa do brasileiro amador nas categorias júnior e open e em Jaws em 2015, quando surfou uma das maiores ondas da vida. Pegar ondas grandes num lugar irado é a realização de um sonho

  • Momento mais tenso no esporte: Quando tomei uma vaca em Jaws numa onda de 30 pés para mais. Todo o pico tomou a vaca e este foi um dos momentos de maior tensão para mim.

  • Por que você acha que merece um patrocínio: Não sei, é difícil responder. Mas acho que sou um surfista que pode expor uma marca de vários modos no freesurf, em ondas grandes e em competições. Acho que para as marcas isso é bom. Mas não sei, essa pergunta é difícil

  • Como você vê o mercado do surfwear brasileiro no momento: O mercado está bom, porque com o Medina ganhando as marcas abriram os olhos para o esporte, mas a gente segue à espera de um patrocínio

  • O que mudou após a conquista do primeiro título mundial por um brasileiro: Hoje em dia o surfe é mais conhecido, mais exposto. A Globo abraçou o surfe por causa da vitória do Medina e hoje em dia todo mundo sabe o que é o surfe. Um outro dia estava no aeroporto na Argentina e um cara de Brasília me reconheceu e falou que me viu na Globo e tal e eu vi que isso só aconteceu porque o surfe está mais na mídia.

 

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