AGUARDE
27 abril 2015

O baile da camisa amarela e o guerreiro do Novo Mundo

Por Triguilli Newton

O titulo parece até de um filme do Glauber, e o realismo fantástico derramado pelo cineasta baiano até se faz presente, mas estamos longe da libertadora e ingênua primavera de 68 e das propostas estéticas do Cinema Novo. Aqui, agora, uma batalha entres artistas dançarinos, atletas iluminados, que desenham o balanço do mar num “país ilha” distante, até descobrirem quem é o melhor, pode ser assistida de qualquer parte do globo

Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo

Numa tela gigante Ultra HD 4K ou naquilo que um dia chamamos de telefone e todos fazem parte do baile. Esse com 2015 estampado na porta tem 11 espetáculos, com salões e plateias in loco completamente diferentes Eu disse plateias completamente diferentes? - Bem, no resto do programa sim, mas no começo, nas 3 primeiras etapas, elas são bem parecidas. Afinal todas acontecem no mesmo “país ilha” filial do Reino Unido na Oceania. Já os salões sim são diferentes. O primeiro é iluminado, vibrante, mas pequeno. O segundo tem arquitetura clássica, tons mais escuros e tamanho médio. Já o terceiro é rústico, de grandes proporções e muitas cores.

Bells, o palco do segundo baile

E os dançarinos? - lembrou o neurônio alerta do escriba. - Os dançarinos/atletas dos mares? São os 34 melhores do planeta. Na primeira etapa todos chegam preparados para a valsa, e o príncipe do evento, o garboso dono da camisa dourada, o melhor de todos no baile 2014, é pela primeira vez, um jovem de um “país continente” sul-americano, que misturou seus índios com europeus e africanos. Mas o celebrado dançarino/atleta pisa no pé de um adversário e deixa o salão mais cedo. É aí que entra em cena o caçula do grupo, compatriota do príncipe, que propõe um break dance super criativo e elétrico que ninguém consegue acompanhar. Resultado: ele vence, deixando adversários e plateia atordoados.

Filipinho com a armadura de número um do mundo

Já estamos no segundo espetáculo e o caçula tem a honra de vestir a camisa amarela, símbolo de seu recente triunfo. Mas ele tropeça um pouco antes da final e um outro compatriota, um ainda jovem, mas experiente dançarino com todos os traços de um guerreiro, que já roda o mundo há 10 anos, assume a responsabilidade de levar a bandeira de seu povo até a última dança. A decisão surpreende todos. Um empate, que após uma consulta as regras, se transforma em vitória do oponente, um dançarino saxão, condecorado o melhor do mundo nos bailes de 2007, 2009 e 2013 e soldado exemplar. A camisa amarela muda de mãos mais uma vez, mas por pouco tempo. Como um general do Novo Mundo, o derrotado dançarino guerreiro se refaz e parte para terceira dança no “país ilha” grande. Tão grande que não vê oponentes a sua frente, apenas a glória.

Mineiro vai disputar a etapa do Rio de amarelo

Mas como nada vem fácil para o guerreiro, seus passos até ela devem ter precisão cirúrgica. Uma pisada fora do lugar pode levar tudo a perder. Diante de suas manobras sem medo, caem pelo caminho, o maior dançarino/artista de todos os tempos, o filho mais celebrado do salão e até outro jovem artista, filho da ilha onde nasceu essa arte/esporte, considerado um futuro príncipe Assim após os três primeiros espetáculos do Baile 2015, o bravo guerreiro continua com a camisa amarela para o próximo, que por ironia do destino, acontece no salão onde ele e seus seis dançarinos/atletas e irmãos de sangue, nasceram. Nesse espetáculo, com certeza, a plateia vai comparecer em massa.
Os dançarinos/atletas e as locações dos bailes na ordem que aparecem:

Gabriel Medina
Glenn Hall
Filipe Toledo
Adriano de Souza
Mick Fanning
Kelly Slater
Taj Burrow
& John John Florence

Snapper Rocks, Queensland

Bell’s Beach, Victoria

Surfer’s Point & The Box, Western Australia

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