AGUARDE
26 maio 2015

Gal Costa completa 50 anos de carreira

Símbolo do Tropicalismo comemora data com o disco Estratosférica

A grande dama da canção brasileira? A maior cantora do Brasil? A musa e voz do Tropicalismo? A melhor intérprete de Chico e Caetano? A grande catalisadora de ideias, poetas e músicos dos últimos tempos? Se a resposta para todas essas perguntas for Gal Costa está absolutamente correta.

Ícone do Tropicalismo

Isso já seria suficiente para muita gente? Com certeza. Ao completar 70 anos de idade e 50 de carreira, isso também poderia ser suficiente para a ainda bela intérprete. Mas depois de pular no abismo em 2011 com o ousado disco Recanto, a verdadeira baiana aponta a seta mais uma vez para frente e desce do sagrado trono da música brasileira para mostrar aos seus fiéis súditos e aos novos que chegaram como é que se faz essa parada.

Moreno, filho de Caetano

Vamos por partes então. A produção do afilhado Moreno Veloso e “do mais requisitado de 10 entre 10”, Kassin, coloca o álbum em sintonia com o que a gente pode chamar de moderno. Mas tem harmonia, metais, competência e bastante criatividade. O repertório foi pesquisado cuidadosamente por Marcus Preto, musico, jornalista, cabeça pensante e amigo de várias pessoas que tem algo a mostrar.

Marcus Preto

Ele é tipo um Wally Salomão de agora. Gal confiou a ele a árdua missão de achar letras e melodias que estabelecessem uma relação com ela, com esse projeto que desde o início não tinha cheiro de mofo, e ainda por cima coroar datas tão redondas na vida da “cantora do Brasil”.
Missão dada é missão cumprida, então Marcus capturou mais 150 músicas que os dois ouviram atentamente até afunilar as 14 faixas do CD físico, que mais tarde serão unidas a dois bônus tracks que serão disponibilizados no Itunes (até nisso o projeto ficou modernoso). A “Lista de Schindler” contempla pagãos e sagrados, hypados e hipsters, consagrados e novatos. Eu destaco Criolo, Milton Nascimento, Jonas Sá, Tom Zé, Mallu Magalhães, Zeca Veloso e Arthur Nogueira. Mas ainda tem Caetano, Marisa Monte, Antonio Cícero, Céu e os produtores do disco. A lista é grande, seleta e campeã. O que dá sentido e possibilita reunir tribos tão diferentes em um mesmo espaço é a inteligência e a voz privilegiada de Gal, que decupa milimetricamente a intenção de cada acorde e de cada sílaba, transformando tudo num disco dela, ambientado em suas infinitas possibilidades de emissão, que aliás, mantém o frescor, o alcance e a beleza de 50 anos atrás.

Foto de capa por Bob Wolfenson

Vale a pena destacar também a incrível foto da capa, lindamente captada por Bob Wolfenson. É extremamente prazeroso travar contato com a obra de uma artista que a essa altura do campeonato poderia colher os louros de sua trajetória e deixar esse trabalho todo “para esses meninos novos que estão chegando”. Mas nem sempre o mais fácil é o mais bacana e mentes e gargantas brilhantes como a da estratosférica baiana sabem muito bem que...

“Nada do que fiz, por mais feliz, está à altura do que há por fazer.

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