AGUARDE
08 abril 2015

Entrevista Exclusiva com Dane Reynolds

Marcelo Luccas conversou com o ídolo durante sua passagem pelo Rio de Janeiro

Por Marcelo Luccas
Durante a breve passagem pelo Rio de Janeiro para a premiere do filme Cluster, dirigido pelo renomado Kai Neville, e estrelado por nomes como Craig Anderson, Mikey Wright, Noa Deane e Mitchel Coleborn, consegui uma entrevista exclusiva com um dos principais protagonistas desta produção, o norte-americano Dane Reynolds. A princípio, conversaríamos com ele durante a festa de lançamento do filme, mas fomos avisados que lá eles estariam apenas para curtir. Então nos ligaram e meio que na emergência fomos ao encontro de Dane, que diferente do que eu imaginava, foi muito simpático e abriu o jogo. Abaixo vocês conferem essa entrevista exclusiva com um dos surfistas que mais influenciou a atual geração do surfe mundial.

Dane Reynolds e Marcelo Luccas

Vamos começar falando sobre Cluster, onde você tem um grande destaque. Como foi a sua preparação para as filmagens?
Foram dois anos de trabalho. Quando eu participo de projetos como esse, eu gosto de deixar o melhor para o final. Os últimos seis meses foram muito bons e fica mais fresco na hora de exibir. A maior parte das minhas ondas foi gravada nos últimos seis meses.
Pra onde você viajou durante as filmagens? Algum momento especial?
A melhor viagem, sem dúvida, foi para Marrocos. Fomos em janeiro e pegamos boas ondas. As ondas lá são incríveis. Elas são grandes e com a face verde. Com certeza a trip rendeu as mais belas imagens.

dane reynolds marrocos

Em Marrocos durante as filmagens de Cluster

Você e o Craig Anderson viajam bastantes juntos. Como é a relação de vocês e o que você acha do estilo dele?
Eu tenho viajado tanto ultimamente que o Craig se tornou um dos meus melhores amigos. Tenho tido mais contato com ele do que com meus amigos de infância. A gente se entende bem e ele é um ótimo parceiro para as viagens. Eu gosto de surfar com ele. Craig é um cara calmo dentro d´água e não torna o ambiente competitivo. A vibração é sempre muito boa e ele arrebentou nas filmagens. Se esforçou muito e o resultado não poderia ter sido melhor.
E a sua relação com o Kai Neville, diretor do filme?
O Kai também é um grande amigo. A gente viaja muito e se conhece muito bem. Ele tem uma maneira particular de nos motivar. Nunca está bom o suficiente. Ele quer sempre mais e acaba aumentando o nível da nossa performance.
Essa é sua primeira vez aqui no Rio de Janeiro. O que achou da cidade? Se assustou com a selva de concreto?
A cidade é realmente linda. Eu já tinha vindo ao Brasil, mas sempre em Florianópolis. O Rio de Janeiro é alucinante. Essa mistura da cidade grande com a natureza cria um visual incrível. Fui surfar na Joatinga. Você está no mar, olha para frente e dá de cara com uma montanha. A praia é linda.
E sua história no Tour? Agora este ano você não foi muito bem em Snapper Rocks, mas em 2012 fez uma final épica com o Kelly Slater na França, com altos tubos. Como foi aquele momento?

Pra mim foi um campeonato memorável. Como wild card, já peguei logo o Mick Fanning no segundo round e passei. Quando você passa de cara, o campeonato realmente parece até mais tranquilo. Peguei o John John nas quartas, mas ele ainda era muito novo e muita gente não o conhecia. Já tinha viajado com ele e sabia muito bem o quanto ele já era bom. Na semifinal eu quebrei minha prancha e foi difícil enfrentar o Kelly depois. Ele intimida os adversários e sabia que dificilmente ficaria com o título. Entrei relaxado, pegamos altos tubos e eu nunca mais vou me esquecer desse dia.

Entubando durante a final contra Kelly Slater, na França, em 2012

E as suas pranchas? Vem tem experimentado muita coisa nova?
Minhas duas últimas tentativas não deram muito certo e logo comecei a filmar Cluster. Com as gravações rolando eu não podia experimentar muita coisa. Tinha que surfar bem e as experiências ficaram de lado um pouco. Agora que acabou eu posso voltar pra casa e tentar mais algumas novidades na sala de shape.
E a sua relação com a Channel Islands Surfboards?
Eu uso as pranchas com eles desde que eu tinha 12 anos. No começo eu comprava pranchas usadas dos surfistas que já eram patrocinados. Com uns 14 eles começaram a me patrocinar também. Eu respeito muito a Channel Islands. A marca é muito poderosa e eles poderiam estar produzindo em grande escala, mas estão sempre pensando em fazer o melhor equipamento. A marca nunca se vendeu.
E a Califórnia? Conte nos um pouco sobre a sua área.
A Califórnia é demais quando dá onda, mas eu gosto de surfar todo dia. Nem sempre está perfeito, mas quando rola é alucinante. Quando eu viajo eu curto surfar onda boa todos os dias.
Como é sua relação com o Havaí e a Tríplice Coroa?
Eu sou acostumado com as ondas fracas da Califórnia e me sinto bem com as fortes ondas havaianas. Eu sou um cara grande e muitas vezes sinto dificuldade em pegar velocidade na Califórnia. Eu gosto muito de Haleiwa, Rocky Rights, Pipeline e Off the Wall.

Em Haleiwa, competindo na Tríplice Coroa

O que você acha dessa nova geração de brasileiros? Gabriel Medina e Filipe Toledo estão arrebentando.
Os dois são incríveis. Eles são muito confiantes. Surfei com o Filipe outro dia na Califórnia, perto da minha casa. Fiquei chocado com a consistência dele. Ele completa todas as manobras e parece que tem cola na prancha. O Gabriel também é demais. É impressionante o que eles conseguem fazer durante as baterias.

A consistência de Filipe Toledo impressiona Dane Reynolds

Quem seria o destaque dessa nova geração americana?

Deixa eu pensar... Tem o Griffin Colapinto e o Jake Marshall... Não quero desanimar ninguém, mas vai ser difícil encarar os brasileiros. Pelo que tenho visto... As ondas aqui não são muito consistentes e faz com que os brasileiros desenvolvam uma técnica diferenciada.

O que você tem de planos para o futuro?
Minha namorada está grávida e serei pai em um mês. É legal deixar um projeto pra trás e começar algo novo. Vamos ver. Em breve teremos novidades.

Tags:
COMPARTILHAR