AGUARDE
25 agosto 2015

Água no Tchopo do campeão

Depois de hibernar com o trauma da derrota de Medina para Flores no Taiti, Triguilli Newton lança mais uma pérola

Teahupoo. Tchopo. Kumbaya. End of the road. O nome não importa e sim o que ele representa. A Onda mais temida do circuito da elite do surfe mundial. Isso sim tem valor. Ela já tirou vidas e desfez em 30 minutos, reputações construídas em décadas na água. Não é sem razão que a prova realizada por lá anualmente acende os gigantescos holofotes da mídia, especializada ou não.

Tem coragem?

Diferentemente (ê palavra feia ) da grande maioria dos picos que recebem o Tour, as ondas não quebram perto da praia. Eles explodem contra a rasa bancada de corais a cerca de 15 minutos de remada da areia, ou 3 na carona de um jet ski. Então, esqueça as arquibancadas na areia e as multidões. Por lá alguns poucos sortudos se posicionam em barcos, canoas, pranchas ou qualquer objeto que flutue. É colocada uma corda com bóias no limite entre o final da bancada e o canal e todos se espremem para assistir o show.

VIP area

A conversa narrada a seguir foi ouvida (ou criada pela mente delirante desse escriba) justamente nessa linha de bóias, de frente para o crime.
Pierre é um surfista de 17 anos que mora em Papeete, capital do Taiti, e bate ponto no campeonato todos os anos. Seu primo Remy, 15, veio da França para passar férias com a família na Polinésia Francesa e meio a contragosto, passou a terça-feira, dia 25 de agosto, na água assistindo as finais da sétima etapa do CT 2015.

Gabriel já tem o respeito dos locais no Taiti

Enquanto os finalistas da batalha remam em direção a bancada, os primos começam uma animada conversa. “ Essa o Medina já levou. Ele venceu aqui no ano passado e agora voltou para mais uma festa.” - Sentencia o confiante Pierre. “ Mas ele não tem que ser melhor que o Jeremy (Flores ) ? Ou ele já entra com a vitória garantida? - Se manifesta um confuso Remy. “ Claro que ele tem que surfar mais do que o Jeremy, mas isso é fácil para ele. Não é atoa que ele é o campeão mundial.” Reforça o “especialista” da dupla. “ Mas a gente não vai torcer pela França? O Jeremy representa a nossa bandeira.” Remy apela para o patriotismo. A conversa é interrompida pela primeira série da bateria.

Jeremy Flores

Como tem a prioridade, Jeremy parte com tudo, bota pra baixo, coloca para dentro e depois de três segundos de suspense, sai depois da bafora com a confiança exibida na linguagem corporal. Resultado: 9,87 pontos. Quando fica sabendo da nota, agora um pouco menos confiante, Pierre ataca novamente: “ Eu não sou francês, sou polinésio, como você que também nasceu aqui. Nosso avô é francês, mas não devemos nada para eles. Inclusive o Jeremy nasceu na Ilha Reunião e não na França, então para mim ele é africano e como eu estava dizendo, o Gabriel vai ganhar essa p . . Ele daqui a pouco tira um 10 e vira o jogo.” - Desconfiado Remy se manifesta: “ O especialista no surfe aqui é você, mas de matemática eu intendo e o Jeremy esta bem na frente.

Campeão!

O tempo passa, nenhuma série com ondas iguais a do 9,87 de Flores entra e depois de quatro ondas fechadas o campeão do mundo pega um tubo mediano que vale um 7,17 e um pouco depois outro similar que ganha um 6,03 dos juízes. Do outro lado Jeremy garante um 7 e fecha a fatura com 16,87 pontos. No momento que confirmam o resultado Remy resolve zoar o primo: “ Acho melhor você me ouvir de vez em quando. No surfe como na maioria dos esportes ninguém ganha de véspera e eu nem preciso saber ficar em pé numa prancha para saber disso.

Enquanto começa a remar no pequeno caiaque de volta para a praia, Pierre encerra o assunto com uma previsão.” Deixa estar. O Medina ainda vai virar o jogo nessa temporada e conquistar o bicampeonato mundial. A próxima etapa vai rolar no “parque de diversões” de Trestles, na California e vai ser lá que vai começar a virada.”

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